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Manifestações contra ameaças de Trump mobilizam Dinamarca e Groenlândia

Os organizadores estimaram que mais de 20 mil pessoas participaram do protesto em Copenhague, número equivalente a toda a população de Nuuk

Homem perto da bandeira de Dinamarca em Nuuk, na Groenlândia - 09/03/2025 (Foto: REUTERS/Marko Djurica)

Reuters – Manifestantes na Dinamarca e na Groenlândia realizaram protestos no sábado (17) contra a exigência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a ilha ártica seja cedida aos EUA. Os participantes do ato defenderam que o território tenha o direito de decidir seu próprio futuro.

Trump afirma que a Groenlândia é vital para a segurança dos Estados Unidos devido à sua localização estratégica e às grandes reservas de minerais e não descartou o uso da força para tomá-la. Nesta semana, países europeus enviaram militares à ilha a pedido da Dinamarca.

Marchas em Copenhague e Nuuk

Em Copenhague, manifestantes entoaram o grito "A Groenlândia não está à venda" e exibiram cartazes com frases como "Não significa não" e "Tirem as mãos da Groenlândia", ao lado da bandeira vermelha e branca do território, enquanto marchavam em direção à embaixada dos EUA.

Alguns usavam bonés vermelhos semelhantes aos bonés "Make America Great Again" (Faça a América Grande Novamente), utilizados por apoiadores de Trump, mas com o slogan "Make America Go Away" (Faça a América Ir Embora).

Na capital da Groenlândia, Nuuk, milhares de pessoas lideradas pelo primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen carregaram bandeiras e faixas semelhantes enquanto seguiam em direção ao consulado dos EUA, entoando "Kalaallit Nunaat", nome da ilha em groenlandês.

"Vim aqui hoje porque acho importante mostrar que a Groenlândia não está à venda. Não é um brinquedo. Esta é a nossa casa", disse Naja Holm, servidora pública.

Em frente ao consulado, Nielsen discursou para a multidão, sob fortes aplausos.

Os organizadores estimaram que mais de 20 mil pessoas participaram do protesto em Copenhague, número equivalente a toda a população de Nuuk. A polícia não divulgou uma estimativa oficial. Outros protestos ocorreram em diferentes regiões da Dinamarca.

"Sou muito grata pelo enorme apoio que nós, groenlandeses, estamos recebendo... também estamos enviando uma mensagem ao mundo de que todos vocês precisam acordar", afirmou Julie Rademacher, presidente da Uagut, uma organização de groenlandeses que vivem na Dinamarca.

Trump provoca crise diplomática

As reiteradas declarações de Trump sobre a ilha desencadearam uma crise diplomática entre os Estados Unidos e a Dinamarca, ambos membros fundadores da aliança militar da OTAN, e foram amplamente condenadas na Europa.

O território, com cerca de 57 mil habitantes, governado durante séculos a partir de Copenhague, conquistou ampla autonomia desde 1979, mas continua fazendo parte da Dinamarca, que mantém o controle da defesa e da política externa e financia grande parte da administração local.

Segundo autoridades dinamarquesas, cerca de 17 mil groenlandeses vivem na Dinamarca.

Todos os partidos do Parlamento da Groenlândia defendem, em última instância, a independência, mas divergem quanto ao momento para isso e declararam recentemente que preferem permanecer como parte da Dinamarca a se unir aos Estados Unidos.

Apenas 17% dos estadunidenses aprovam os esforços de Trump para adquirir a Groenlândia, e grandes maiorias entre democratas e republicanos se opõem ao uso de força militar para anexar o território, segundo pesquisa da Reuters/Ipsos. Trump classificou a pesquisa como "falsa".

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